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Coluna - Tangará

 


Criado no setor de bebidas, formado em enologia

e escrevendo sobre "tragologia"...

Msn : stevan_arcari@hotmail.com

Twitter: @tangarah

O fantástico mundo das borbulhas (II)

 

Bueno, passando a parte do padre e das estrelas, vista na coluna anterior, o fato importante é que todo o mundo vinícola começou a fazer seus champagnes, e não sendo de bom tom chamá-los assim, surgiu o genérico espumante para denominar a todos (e suas várias traduções que alguns idiotas, digo, desavisados pensam ser denominações de origem ou produtos diferentes).

 

 

É importantíssimo citar o Cava, espumante espanhol da região de Sant Sadurni d’Anoia, que tem uma história tão antiga e até meia parecida com a do Champagne, só que demorou mais a ficar conhecido no restante do mundo.

Pra quem não está habituado a denominações vinícolas, o Codorniú e o Freixenet são dois exemplos de Cava.

 

Teve uma italianada esperta, lá do pé dos Alpes, que viu o Cava e o Champagne dando certo e resolveu dar um jeito de espalhar o seu produto mundo afora também. Trata-se de produtores de uma variedade de uva chamada Prosecco, que produziram um espumante mais leve e mais jovem que os concorrentes franceses e espanhóis; e criaram uma DOC nas cidades de Conegliano e Valdobbiadene.

 

Nas décadas de 90/00 o tal do Prosecco ganhou o mundo, por ser agradável, fácil de beber, sem doçura enjoativa (a maioria pelo menos) e caiu no gosto da galera. Muito bem, palmas pros italianos, a não ser por um detalhe, como prosecco é o nome da uva, esse nome pode ser usado por qualquer um que venha a plantá-la – e foi o que aconteceu. Depois de alguns “porco d.....†os Vênetos tentaram emplacar no mundo um discurso de que só o Prosecco deles era bom; que não deu certo pelo detalhe de que outras regiões também tinham produtos bons. Agora depois de bestemar um monte os gringos tão dizendo que o nome da uva é Glera e não Prosecco como anteriormente divulgado e que é pra todo mundo chamar de Glera que o nome Prosecco é só deles.... (me engana que eu gosto).

 

Maravilhas da mídia: o Prosecco entrava normalmente no mercado brasileiro, sendo consumido por uma fatia considerável da classe média alta e alta dos grandes centros; até o momento em que fez uma aparição global no BBB e caiu nas graças dos baladeiros, das socialites da periferia, das zonas de luxo e então alcançou todas as gôndolas de supermercado.

 

 

Semana que vem mais uma meia dúzia de vinhos com bolinhas para sua apreciação.

 

Adendo: os proseccos das mais variadas regiões são bons espumantes (brasileiros em destaque inclusive), mas quem tiver oportunidade prove o italiano, pois essa história toda tem um sabor especial.

 

 

 

 
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