A notícia da semana passada no setor de bebidas foi a compra da Cachaça Sagatiba pela italiana Davide Campari.
A Campari hoje é um dos maiores players do mercado mundial de bebidas, dona de muitas marcas famosas, como Dreher, Skyy, Aperol, Cynar, Carolans, Cinzano, Old Eight, Liebfraumilch, Riccadona entre outras não tão conhecidas no Brasil; além de ter a Jéssica Alba como garota-propaganda.

A Campari já tinha contratos de distribuição com a Sagatiba, sendo que comprá-la de vez faz parte de sua estratégia de expansão. Com a compra da Sagatiba a Campari também vai aproveitar a copa e a olimpíada (se o fim do mundo não ocorrer como previsto). Acontece que uma das maneiras de justificar esses megalomaníacos eventos esportivos em um país de infra-estrutura quase medieval como o nosso é gastar mais dinheiro e usar esses eventos para divulgar produtos genuinamente brasileiros, como a cachaça!
Essa tal de Sagatiba, encontrada em mercados e bares com facilidade é uma invenção vinda da cabeça de empresários espertos (sem desmerecimento!). Esse pessoal viu uma oportunidade e começou a produzir uma cachaça com nome legal, garrafa bonita, rótulo atraente, campanhas de marketing de alto impacto e foi explorar o mercado da cachaça no Brasil e na Europa. Acontece que para nós brasileiros, “entendidos da purinha” a Sagatiba é uma 51 bem vestida.

Os produtores de cachaça de alambique têm aversão a esta prima rica, pois ela não tem nada a ver com a cachaça artesanal, de canavial bem cuidado, alambique de cobre, destilação lenta, envelhecimento adequado. A Sagatiba é uma cachaça industrial, e entre as industriais da pra achar uma dúzia de cachaças mais agradáveis ao paladar.
Na escócia tem muita coisa melhor que os Johnye’s, assim como no México tem muita tequila mais saborosa que a José Cuervo. Esse tende a ser o futuro da cachaça brasileira, ter grandes marcas impressionando o mundo enquanto os produtos mais marcantes circulam em um mercado a parte, pitoresco e muito mais interessante.
Acontece que a Sagatiba foi desenvolvida pra ser uma bebida Premium de grande volume, e os pequenos alambiques do Brasil são bebidas Premium de qualidade artesanal, diferenciados pelo esmero em todo o processo, o que leva a produção de pequenos lotes, inclusive na saída do alambique a cachaça “pinga” devagar em pequena quantidade.
E no mundo das grandes marcas, cachaça pouca parece ser bobagem.

Aprecie com responsabilidade.











